
Dizem que os intelectuais não gostam de falar de dinheiro.
Pois eu, se pudesse escrevia uma tese sobre o assunto!
Só não escrevo porque para estares na universidade precisas de dinheiro,
E depois dizem-te que o teu conhecimento é inútil,
Que só mereces ser caixa de supermercado com o teu curso!
Portanto fica mais barato escrever este poema-tentativa,
Ou tentativa de poema, sobre o dinheiro!
Tens dinheiro no banco? Eles tiram-te dinheiro todos os meses,
Mesmo quando não fazes nada.
Vais ao supermercado? Precisas de dinheiro!
Vais tomar um café? Dinheiro!
Vais comprar roupa? E dinheiro?!
Vais um concerto? Precisas de dinheiro.
Vais almoçar fora? Dinheiro!
Vais ao cabeleireiro? Pois, precisas de dinheiro!
Precisas de ir ao médido? Ah, adeus dinheiro!
Queres fazer algo completamente diferente disso?
Também precisas de dinheiro!
E depois vêem os deuses da economia avisar,
Que não há mais dinheiro para ti!
O dinheiro tem de ir directamente para os bancos,
Para ti só sobram as migalhas,
Porque os bancos são mais importantes que tu,
Que és humano!
Para eles há sempre dinheiro,
Para ti o teu aumento é celebrado como uma grande fortuna,
Mesmo quando apenas dá para comprar duas caixas de manteiga.
Ouves as notícias e tens vontade de ficar fechado em casa,
Para poupares dinheiro.
Ao mesmo tempo que és intimado a comprar.
Se tens amigos tens de ter dinheiro,
Se queres sair de casa tens de ter dinheiro!
Se queres ter uma casa só tua vai sonhando,
Porque não tens dinheiro!
Oh falta de dinheiro,
Pão-nosso-de-cada-dia,
Que não nos alimenta,
Destino cruel de quem tem de escolher,
Entre Viver e não gastar dinheiro.