Prendas de Natal

Cada prenda para além do objecto material em si contem sentimentos e ideias.

Perguntas-me o que eu quero para o Natal.

Eu podia dar te uma lista infindável de objetos que preciso e desejo. Alguns até com alguma urgência.

Mas depois lembro me que nunca me deste os sentimentos de que precisava.

E então fico na dúvida acerca do te responder, porque não quero ser mal agradecida.

E por dentro desejo prolongar o Natal por todo o ano. Quem sabe um mês destes me dás o que eu preciso.

Pensamento insistente

Um pensamento insistente

Está na minha mente

Desde ontem.

Tentei afastá-lo,

Com mil tarefas liquidá-lo,

Mas ele continua cá dentro,

À espera que eu faça alguma coisa.

Caro pensamento insistente,

Está na hora de te afastares

Para dar espaço para outros

Pensamentos consistentes.

Os dias passam a correr

Os dias passam a correr

A noite vem sem que eu esteja a espera.

Tantos planos, falta fazer.

E falta dizer tanto.

Espera-se o momento certo.

Será nesta era?

Todos os dias algo novo para aprender

E é assim que eu quero.

Escutar-me-ás se te falar?

Amar-me-ás se te amar?

Porque os dias passam a correr

E eu nunca mais te encontro

O incerto é agora o mais certo

Quero fazer planos mas não consigo.

Só consigo amar mas isso já não e suficiente.

Vem para mais perto, toma este abraço

Que celebra mais um laço dos nossos

Corações dilacerados pela morte

Que vemos a nossa volta.

Amar já não e suficiente.

É preciso beijar tocar

Mesmo eu sabendo que assim

A morte pode vir mais cedo

E eu não quero isso.

Quero que vivas muito

Que sejas feliz com os outros

Que amas. Que amarmos.

E são tantos! Cai a noite

E eu penso em ti.

Um poema para um poeta – Quatro

Dedicado a Carla Veríssimo

És mulher, mãe, bióloga e escritora.

És filha e neta.

És amante e és amor.

És amiga.

És Entrilhas, livro que levaria

Se pudesse fazer um plano nacional de poesia.

És Amálgama, da tua poesia junta com outra.

Juntamente com muita poesia de outros

Em concursos de Poetry Slam

Onde ainda és minha mestre.

És selvagem como as aves que cuidavas

Nos Açores.

És poeta das ideias viajadas

Que quero continuar a ler.

Um poema para um poeta – Três

Dedicado a Cláudia R. Sampaio

Eis que num dos últimos dias de Fevereiro 2020

Uma conversa necessária sobre Arte e saúde mental

Traz-te para a minha vida

Tenho necessidade de continuar a conversar,

Por isso compro o teu livro:

Já não me deito em pose de morrer.

Nele nos presenteias, a nós leitores,

Com um conjunto de poemas

Cheios de loucura e lucidez.

Lê-los torna-me mais lucida,

Lê-los torna-me mais corajosa,

Lê-los torna-me mais mulher.

Fico com vontade de viver

Não pela metade, mas pelo todo.

Fico com vontade de ser mais corajosa.

Fico com vontade de me expor mais,

E escrevo alguns poemas inspirada por ti.

E ainda és umais que poeta, és Artista,

As tuas pinturas alegram-me os dias frios,

A tua arte que nunca consigo perceber

Mas que adoro.

Refiz-me poeta ao ler os teus poemas,

Refiz-me mais mulher ao ver a tua escrita.

Tenho o prazer e ver a tua arte.

Refaço-me cada dia contigo e com outros.

Agradeço-te por isso.

Ela conta fazer parte do passado

Ela conta fazer parte do passado um dia destes. Não porque pretenda morrer. Eventualmente alguém a matará, mas isso é outra história.
Porque há quem defenda que o futuro é a escravidão global.
Porque há quem defenda que matar sem abrigo é o futuro.
Porque há quem defenda que sermos todos desempregados é o futuro.
Porque há quem defenda que matar funcionários públicos é o futuro.
Porque há quem defenda que desalojar gente que vive em barracas e o futuro.
Porque há quem defenda que acabar com o Serviço Nacional de Saúde é o futuro.
Portanto ela irá fazer parte do passado um dia destes.

Entre a serenidade e a tempestade

Durante muitos anos ela usou a razão para ultrapassar todos os obstáculos. Ok, a emoção estava lá também mas estava controlada, oprimida.
Um dia a razão e a emoção juntaram-se e ela decidiu mudar de vida. Foi como abrir uma panela de pressão a ferver. Cada vez que ela pega nas emoções, elas queimam-lhe a pele.
Medo, vergonha, desejo, amor, dor, alegria, bom humor e muitas mais. Todas à flor da pele. Todas a queimar a pele.
Por vezes ela consegue sossegá-las numa serenidade melancólica.
Outras vezes é a tempestade que toma o seu coração. São muitas emoções por gerir… Um dia de cada vez!

Pierrot triste

Vejo-te. Pierrot triste danças nos meus sonhos,

Num estabelecimento de striptease

E beijas-me na boca

Enquanto as outras olham admiradas.

Vejo-te. Tiras a roupa. Peça a peça.

A plateia delira. Pede mais.

Tu fazes bis. Mas só a mim beijas na boca

Sou a única que tu queres.

Vejo-te. Tiraste tudo, menos a máscara.

Tiraste tudo, menos a lágrima.

As outras mulheres deliram, sonham contigo.

Como eu. Mas tu só me beijas a mim.

Vejo-te. Mas tu só me queres a mim.

Agora fazes pole dance para a plateia.

Mais aplausos. Mais pedidos de repetição.

Todas te querem beijar. Mas tu só me beijas a mim.

Beijas-me com a tua máscara.

Beijas-me com a tua lágrima.

Vejo-te. E a noite só agora começou.

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