A palavra certa

Em minha mente

Pensamentos voam poesia.

Procuro a palavra mais certa

Com o significante mais adequado.

O poema está à espera de ser

Pensado falta

Escrever o seu final.

Quero escrever poesia

Até conseguir encontrar

O vocábulo certo

Para a minha frase

Para o que o leitor admire

E recomende.

Escreverei poesia

Até ser uma escritora habilitada.

A minha morada (1)

Não sei onde é a minha morada.

Não é a casa onde vivi tantos anos.

Onde estão as minhas coisas

Mas onde não me falta ser eu.

Não é a casa onde vivo

Onde descobri a minha liberdade interior

Mas eu preciso de mais que um quarto

Com serventia de cozinha.

Onde é a minha casa?

A minha casa ainda está ser construída:

O interior com mais maturidade,

O exterior com mais dinheiro!

Quero uma morada só para mim:

Onde colocar os meus objectos e

Onde colocar os meus livros.

Um local onde possa receber quem quiser!

Por enquanto a minha morada

É o coração dos que me amam.

Bruno Candé e o racismo

Era um homem inocente de 80 anos

Que passava todos os dias

Por um homem e por uma cadela.

A cadela era irrequieta e

Causava problemas ao homem inocente.

O homem inocente começou por bater na cadela

E discutir com o dono da cadela.

O dono da cadela era negro,

Preto que metia dó.

Logo não podia ser português,

Era mas é voltar para a sua terra.

Que melhor conselho se poderia dar?

Se entre os portugueses (mesmo familiares)

As desavenças por pequenas quezílias

Levam à morte,

Que fazer com um homem negro

Com uma cadela, se não matar?

Havia portanto justificação

Para a acção de ir buscar uma arma

E trazê-la à mão para dar

Solução ao caso!

Racismo? Claro que não!

Os negros com cadelas

E sem cadelas

Têm direito a racismo de todos os dias,

Tão invisível que ninguém dá por ele:

Pelo menos quem é racista não nota!

Racismo silencioso sem direito a auto

De crime: justificação para futuros crimes

De negros e brancos.

Portanto o inocente homem de 80 anos

Apresentou a solução final

Para o homem negro com cadela

Irrequieta e barulhenta

Fez o que qualquer um

Faria.

Nota: A partir de Autor dos disparos que levaram à morte do ator nega motivação racista e refere incidente com a cadela da vítima.

Frágil-forte

Hadrian’s Villa, Italy. Faux color infrared.

Sou frágil como uma folha de árvore.

E sou forte como uma árvore.

Às vezes quero desfalecer sem força,

Pedir a alguém que me agarre

E me cuide.

Outras sou forte

Quero expandir os meus ramos

Enfrentar o mundo.

Sou poderosa.

Tu que me conheces frágil

Ajuda-me a ir buscar a minha força.

Tu que me conheces forte

Nem tudo o que vês sou eu.

(Des)Viver

Nas meias-luas da vida fazemos grandes descobertas.

Nas meias-idades da vida nascem as grandes lições.

Vemos gente mais velha, mesmo a viver a reforma

Começar de novo: casar de novo, casa nova.

E admiramos a sua coragem.

Vemos gente mais nova – tão nova – a morrer

a deixar para trás uma vida por viver!

E na meia-idade nunca sabemos quando será a nossa vez.

Seremos os próximos? Quando seremos convidados a desviver?

Quantas vezes nos darão o direito de começar de novo,

De sonhar, de criar? Quantos futuros construiremos?

A maior lição das meias-idades é que apenas somos imortais

na cabeça e no coração de quem nos ama.

Portanto até desvivermos, vamos vivendo.

Grão a grão (2)

Grão a grão,

Vai a mulher-menina

(ou será menina-mulher?)

Crescendo!

Ela quer estar só

Mas o seu euro anda contado

Quer mudar de vida!

Mas como?

Mas quando?

Mas para onde?

Grão a grão vai ela aprendendo,

Vai ela sonhando,

Com o amor-por-vir,

Com projectos,

Com afectos.

Grão a grão vai cuidando da casa

Que não é sua

Todavia é a casa do seu coração,

Enquanto sonha a vida-por-vir,

E a casa-por-criar

E o amor-por-ser!

Grão a grão

Com novas dores

E novas aprendizagens

A vida continua.

Grão a grão ela quer seguir em frente,

Não voltar atrás!

Não voltar a 2019!

Um poema para um poeta – Dois

Dedicado a Pedro Antunes

Contigo ficamos sempre emocionados

Ao sentir a tua emoção!

Comove-me o teu amor.

Também quero saber

O que escondem tantas reticencias!

Palavras por dizer?

Sentidos subentendidos?

Uma reticencia transforma-se…

Num ponto de interrogação?

Há qualquer coisa em ti que te faz:

Um grande poeta.

Talvez seja a emoção,

Talvez sejam os rascunhos

Melhorados mil vezes.

Talvez seja a palavra certa

(Que eu nem sempre encontro).

Talvez seja o amor.

Queria ter o teu dicionário mental

Para escrever melhor.

Seguir em Frente

Sigo em frente mas não me apetece

Seguir. Apetece-me ficar nos teus braços.

Ficar para ser tua amiga (sempre!)

Ficar para ser tua amante (oh!)

Ficar para ser tua namorada (eu sonho)

Nós somos festos da massa

Daqueles que seguem em frente

Brincamos com obstáculos

Fazemos da tristeza alegria

E do amanhã esperança.

Nós sempre seguimos em frente!

Mesmo quando, agora, seguimos separados!

O pedinte

Vejo-te tantas vezes, pedinte,

Nesta rua movimentada,

Vejo-te tantas vezes, velho,

E oiço a tua ladainha.

Mas não te dou dinheiro.

Mas hoje dei.

Olhei para as tuas mãos

Sujas e rugosas e pensei:

Terá família?

Terá amigos?

Porque passa o tempo a ser pedinte?

Precisará mesmo de dinheiro?

Todos precisamos de mais dinheiro!

Somos consumistas ao fim-de-semana

E à Segunda-feira

Depois pobres o resto da semana.

Às vezes mesmo o resto do mês.

Para alguns senhores do mundo

O ideal é para uns o luxo

E para outros a escravidão eterna

Disfarçada de empreendorismo.

Se todos os países imitarem o Brasil, velho,

Dentro de alguns anos seremos todos pedintes,

Como tu.

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