Máscara (1)

Veste a tua máscara:

eu visto a minha!

Eu quero proteger-te:

tu também me queres

Proteger!

Ficam mil abraços por dar,

Mil beijos que apenas podemos sonhar.

Vestir a máscara é uma forma de amar

(mas não a minha favorita).

Há que manter a distância social

Já que a proximidade pode ser mortal.

Eu protejo-te:

E tu proteges-me!

A conversa continua

Cada um com a sua máscara

Mil palavras ficam por dizer.

Eu protejo-te:

E tu protege-me!

O incêndio de George Floyd

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“Não consigo respirar”,
disse George Floyd ao polícia
Que o estava a matar!
“Não consigo respirar”,
Disse um homem de 46 anos
(Com a cor de pele errada?)
Que tinha trabalhado como segurança
No mesmo bar em que Derek Chauvin
(O seu assassino, de 44 anos.)
No dia da sua morte George Floyd
Estava desempregado
(Era mais uma vítima da precariedade
Que o Covid-19 veio trazer e veio denunciar)
E tinha sido acusado de mostrar
Uma nota falsa num café!
George Floyd era um homem de paz,
Chegando a gravar um vídeo
Contra a violência e as armas!
Não consigo respirar,
Digo eu ao ver as casas arder em Powderhorn
(Minneapolis, Minnesota ou seja Estados Unidos)
Quando a única forma de mostrares
A tua indignação e seres ouvido
É incendiares empresas e instituições,
É incendiares esquadras de polícia,
Algo vai mal na tua sociedade:
Se não eras criminoso, tornas-te!
No teu país já deviam saber que
Se és negro, branco ou amarelo
És pessoa de bem ou de mal,
Mas não é a tua cor que te define,
Mas sim os teus actos!
Mas há tanta gente no meu país
Que também não sabe!
Amigos policias vocês fazem um trabalho
Importantíssimo,
Não peçam para estar acima da lei,
Matar um homem que não resiste
É crime que deveria dar sempre prisão!
É preciso ter noção!!
Abusos de poder policial não são boa ação!
Amigos negros vocês são pessoas importantíssimas,
O racismo estrutural da sociedade é revoltante,
Pois nem todos vós sois criminosos
(Da mesma maneira que nem todos os policias
Agem de acordo com a lei e a moral.).
As pessoas só vêem a cor da pele
Não querem saber da cor da tua alma!
Eu não consigo respirar
Nesta sociedade cada vez mais
Parecida com Powderhorn
(Minneapolis, Minnesota ou seja Estados Unidos)!

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Um poema para um poeta – Um

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Dedicado a Jorge Vaz Dias

A tua poesia são palavras
Juntas com alma,
Escritas insolentemente,
Ora hiperbolicamente,
Ora insolentemente,
Ora amorosamente,
Sempre competentemente.
Consegues descobrir
O Amor dentro de cada
Ser, assim como a sua
Essência.
A tua poesia é
Pão e bolos,
Doce e salgada,
Apego e desapego,
Tese e antítese.
Às vezes tem sexo
Mas tem sempre nexo.
És um poeta-mestre!
(Que aprendeu com os
Melhores mestres.)
Tens um dom.
Encomendar-te-ei poemas
(E outros géneros literários)
Porque um poeta
Diz sempre a outro poeta:
– Escreve!

Última Actualização: 05/07/2020

Valentina morreu com nove anos

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Sabes Valentina, saber da tua morte
Recordou-me do que é ter
Nove anos e procurar o amor
De um gerador
E a obter só palavras frias.
Sei que adoravas o teu pai,
Mas ele nunca teve
Preparação para te adorar.
A escola da vida só lhe ensinou
Que eras um saco onde descarregar
O seu medo e frustração.
O teu pai poderia ser um humano-bom
Mas algo falhou
Transformando-o num humano-falhado.
Nós sabemos Valentina, que há muitos
Pais assim. Uns porque como indivíduos
Sempre falharam.
Outros porque a sociedade lhes falhou.
E alguns desses homens pediram agora
A pena de morte para o teu pai.
Nós sabemos, Valentina, que tudo se passa
No silêncio do lar,
Em recantos onde não entram
Juízes, advogados,
assistentes sociais, CPCJ,
porque fora desses recantos,
O único acontecimento
É uma família feliz,
Sempre em sintonia.
É esse que a sociedade
Sempre recomenda,
Mesmo quando é apenas
Hipocrisia.
O amor paternal
Não se ensina em nenhuma escola
Seja académica seja da vida.
É preciso estar atento.
É preciso querer aprender
Com os filhos.
Sabes Valentina, saber da tua morte
Recordou-me do que é ter
Nove anos!

Lado sombrio

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Tenho um lado iluminado,
Onde é sempre Primavera
Ou Verão.
Onde a alegria corre solta
Assim como a liberdade
No coração.
Tenho um lado sombrio,
Cheio de escuridão,
Onde é sempre Inverno
Ou Inferno.
Às vezes o meu lado iluminado
Tem tanta luz
Que me esqueço do meu lado sombrio.
O lado sombrio vive obscuro
Durante semanas.
Mas ele renasce sempre inesperadamente,
Inconscientemente,
Os seus fantasmas,
Obscuros, esperam dias
Para verem a luz.

Os teus silêncios

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Os teus silêncios são
Palavras não ditas,
Lágrimas não choradas,
Fardos de alma não divididos,
Zangas caladas.
Os teus silêncios são
Lutas diárias
De um homem que se
Fez sozinho
E não deseja mostrar-se
Fraco.
Os teus silêncios são
Saudades de alguém que já partiu
Cuja falta se sente diariamente
E de quem estando perto no afecto
Está longe geograficamente.
Os teus silêncios são
Erros inconfessáveis
De um perfeccionista.
Os teus silêncios são
Medos escondidos
Que todos temos.
Os teus silêncios são
A causa das minhas lágrimas.

Homenagem a Ricardo Reis

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Não creias, Lídia, que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher.

Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.

Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa.

Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo.

Sofia de Melo Breyner Andresen

Herança genética

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Sou sangue do sangue de outros,
Produto da reprodução:
De muita dor, obediência e forretice.
De muita aventura e arte.
De versos e reversos.
De mal-entendidos e mal-amados.
De conflitos irresolúveis entre duas famílias.
Da obrigação de manter as aparências.
De amor fraternal entre primos.
De costureiras, mecânicos,
De agricultores e vendedores de vinho.
De gente do povo, de gente de bem.
De gente que provoca sofrimento
Por necessidade de poder.
De amor demasiado que se torna desamor.
De tudo junto e tudo separado.
De muito amor.
Assim sou eu, à procura do meu caminho
Para além da herança genética.

Geradora (1)

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Quando a tua melhor amiga,
É também a tua maior inimiga,
Porque te convida para o abismo,
E diz “Vamos para o Paraíso”!
Quando a harmonia familiar
É colocada à frente da verdade.
Quando recomendar, aconselhar
E cuidar deixa de ser um acto de amor
Para provocar dor diária.
Quando alguém dá demais sem receber.
Quando alguém exige que nunca Vivas
Porque assim jamais errarás.
Quando as aparências contam mais
Que os sentimentos.
Quando amar demais é desamor.
Quando a tua geradora é motivo
De amor mas também de ódio.

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